quarta-feira, 13 de maio de 2009

A vida em profusão...

Em várias ocasiões; nós abrigamos turistas acampados em barracas, que as vezes eram apanhados por alguma tempestade

Algumas familias as quais nós socorríamos; tornavam-se mais próximas e vinham com frequência, compartilhar as delicias do paraíso conosco. As nossas irmãs casadas, também traziam suas ramificações familiares; eram cunhados, filhos, concunhados, sogros, enfim. As vezes também traziam problemas, como toda família normal. Mas invariávelmente; estes encontros promoviam confraternizações, regadas por boas histórias, rizos rasgados e passeios divertidos por Itapoá.
Para além do nosso endereço; havia lugares fantásticos como: O Campo da Onça; que era um descampado natural, composto de pequenos arbustos; uma espécie de savana. A população mais antiga, afirmava existir onças ali; eu nunca tive o prazer deste encontro. Existia também o famoso Samambaial; um belo sítio de areias brancas como a neve, que localisava-se á margem sul, do caldaloso rio Saí Mirim. Havia lá ainda, um engenho para manufatura de farinha de mandióca.
A dois ou tres quilômetros da costa, há uma ilha com uma praia interna, que é convite fácil, para um ótimo mergulho.
O nosso pacote familiar, vinha completo para viagem; eu imagino que os nossos pais, entregavam nas mãos de Deus e também desaceleravam; ou do contrário, teriam ficado loucos. Mas de certa forma, todos acabavam cuidado de todos; pois afinal, todos eram pais, mães e irmãos.
Nós tinhamos amigos, oriundos de várias partes do país e de diferentes classes socio culturais. Os meus pais tinham um código próprio de conduta, para a nossa sociedade familiar.
Não importava para eles; o grau de instrução das pessoas, a cor da pele, a condição econômica, a vertente religiosa e nem mesmo a correlação sanguínea.
É óbvio, que diante das nossas dificuldades econômicas; não poderiamos fazer mais do que cabia á nossa prole. Porém; a solidariedade era fato cumum entre nós.
Em contra partida; se a conduta ética não fosse respeitada, o indivíduo não seria bem vindo e era informado disso. Os meus pais repudiavam os difamadores, os preconceituosos, os autocentrados, arrogantes, provincianos, beberrões, arroaceiros ou gente com vibe ruim.
Por ser bastante objetivo e lider nato; cabia ao meu pai o papel da disciplina mais rígida. Ele era frequentemente; acusado de ser bravo, rude, pouco tolerante e coisas desse tipo. Mas também, não ligava muito para o "Zé Povinho"; como ele mesmo se referia às hienas de plantão.
Eu fui educado pela cartilha dos meus pais; aprendi a valorizar a forma de atuação deles, na minha formação e serei eternamente grato por isso.

Alguns destes ditos populares; são pérolas e me fazem lembrar os meus generosos genitores...

-Quem costuma usar a acusação, como mecanismo de defesa; normalmente já possui as respostas prontas...

-O indivíduo que sempre faz o papel da vítima; provavelmente seja vítima dele mesmo...

-Aquele que não se esforça para ser bom filho; é também pouco provável, que se torne um bom cidadão...

-Quem quizer bem feito, que o faça; quem não o quizer, que mande fazer...

-Normalmente; quem tem dificuldade para delegar ou colaborar espontâneamente, tem facilidade para a cobrança exessiva...

-Quem não tem a capacidade de apludir as vitórias alheias; fatalmente não terá com quem dividir a sua própria vitória...

Estes ditos parecem simples; mas pô-los em prática, torna-se extremamente trabalhoso; se faz nescessário o exercício constante de distanciamento, de auto análise e de reflexão. Pois é saudável, evitarmos posturas emocionalizadas ou rançosas.

Será que a vida é tão complicada assim? Ou nós devemos adequar melhor, as nossas habilidades, no sentido de poder lidar de forma menos ruidosa, com as novas questões, que frequentemente se apresentam?
Eu penso que estas questões analítico filosóficas; não devem ocupar muito espaço aqui, neste momento. Mas penso que caiba reflexão sim; pois quem não se questiona; também tem dificuldade para uma convivência social mais saudável...

Houve dias; em que o nosso terreno parecia uma colônia de férias, daquelas dos filmes teens da Sessão da Tarde, sabe?
Aquela missigenação, nos agregou bastante no sentido positivo...

As nossas alegrias infantis, os sotaques variados, que por vezes se confundiam; era para mim tão saboroso, quanto uma torta de limão!
Mesmo não viajando nas férias; nós desfrutávamos as nossas, praticamente o ano todo; pois sempre tinhamos visitas agradáveis no Paríso.
Hoje; eu percebo que as famílias que nós hospedávamos, gratuita e prazeirosamente, durante as férias; além de valorizarem a alegria e descontração, também primavam por educação e respeito mútuo.
Isto de certa forma, consolidava a nossa rede social e nos ligava ao mundo externo.
Afinal; a nossa familia se ramifica por boa parte deste país; inclusive alguns queridos irmãos, nasceram no estado de São Paulo. Mais própriamente na cidade de Santos, no litoral sul do estado. As nossas duas irmãs haviam nascido em Penha, Santa Catarina e eu em Itajái.


Coisa de família meio nômade; sabe?

(Foto by Lee Bento)