
Óbviamente, existia outros vilarejos menores; mas por uma questão de objetividade, não quero me alongar na descrição pormenorizada, da situação geopolítica do lugar.
Nos anos sessenta; residiam aqui, aproximadamente, duas dúzias de famílias. A pequena população, vivia basicamente da pesca, da agricultura de subsistência e suas manufaturas. Existiam emgenhos para fabricação de farinha e bejús, á partir da mandióca. Os escambos; era uma forma muito comum de comércio na região e os produtos industrializados; vinham de São Francisco do Sul, através das canoas que faziam esta travessia semanalmente.
Eu penso; que jamais reclamarei da minha estadia neste plano terreno, sinto que sou de fato privilegiado; tanto pelo núcleo onde fui gerado, como pelos amigos anjos, que habitam este planeta comigo; ou ainda pelos lugares onde morei...
Sempre que as grandes dificuldades se apresentavam; invariavelmente, eu estava de frente para algum paraiso...Nos primeiros anos da minha existência; a realidade do mundo externo, me parecia meio distante; como uma vaga lembrança do meu subconsciente infantil.
Também; quem quer saber do passado, quando se vive no paraíso?
Numa certa manhã; eu fui apresentado a um homem esguio, que era para mim, totalmente desconhecido... Aquela figura, marcada pelo tempo e pelas dificuldades da vida; era o meu pai que retornara ao lar. Eu não me dei conta disto; em virtude da inexistência do referencial anterior de paternidade. Não por culpa dele nescessariamente; mas porque a vida estava se apresentando daquela forma, naquele momento...
Existem coisas que você muda; outras aprende a conviver, da maneira mais saudável possível.
O meu pai; foi um homem pouco compreendido por alguns, respeitado pela maioria e da mesma forma que eu; não perdoava os maldosos de plantão...
Algumas vezes; o exercício do perdão é necessário, para que as feridas deixadas pela mágoa; cicatrizem e não se tornem crônicas. Nós temos maior capacidade de acusação; do que a do perdão... Nos colocarmos no lugar do outro; na maioria das vezes, amplia as nossas possibilidade de compreesão do todo. O modelo mentiroso, irresponsável, difamador e acusatório; tende a contaminar os próprios disseminadores desta conduta mesquinha, que é dígna de pena!
Jesus disse: "Pai; perdoa-os, porque eles não sebem o que fazem". Devemos procurar identificar, a que Deus interior nós obedecemos; pois as duas modalidades, coexistem dentro de cada um de nós. Se alimentarmos a nossa féra interior; a próxima vítima, fatalmente será nós mesmos.
Quem não consegue ser bom filho, jamais será pró-ativo ou agragador socialmente; pois respeitar os pais, é mandamento bíblico e configura valor moral e caráter. Se não formos gratos, com quem nos trouxe á existência; vamos ser gratos com quem; mesmo?!
Crescendo e aprendendo...
(Foto "Primeira pedra -Itapoá" by Lee)

