A nossa pequena casa de madeira; tinha quatro cômodos e uma vida social em movimento.O nosso ninho, localizava-se no meio do terreno, protegido dos ventos marinhos, por uma seringueira enorme, um bambuzal, abacateiros, goiabeiras e uma infinidade de outras árvores...
Além da nossa numerosa familia; começaram a frequentar também a nossa casa, as garotas pretendentes ou namoradas dos meus irmãos. Junto vinham amigos, primos e primas; enfim...
Era tanta vida em ebulição, que não há tempo para narrar aqui. Eram brigas, piadas, rizadas, namoros, surras, travessuras... E o futebol da tarde á beira mar? Esse por si mesmo, já daria um livro!
Quantas histórias que a vida se encarregou de contar; assim como faziam os meus queridos genitores, normalmente em noites frias...
O meu pai, foi um memorável narrador das suas próprias histórias; eu percebo hoje, que herdei dele essa capacidade.
Como era bom passar férias em Itapoá, ouvir as belas histórias do meu velho...
Enquanto ele tecia as redes e fumava o seu inseparável fumo de carda; nós tomávamos café á luz da lamparina, nos deliciando com aquela profusão de boas histórias...
Há uma música que me leva ao meu Herói de carne e osso; ela diz assim: "...naquela mesa esta faltando ele; e a suadade dele esta doendo em mim! " . Essa música retrata o amor e a gratidão de um filho, por seu pai. Inclusive; me fez chorar por vezes...
Enfim; a vida é aprendizado contínuo e gradativo; pois quanto mais eu penso que sei, mais percebo o tamanho da minha ignorância...
Num dia de sol forte, os pescadores haviam notado um enorme cardume, muito perto da costa. Era uma quantidade bastante significativa de peixes médios; e uma variedade de espécies curiosa, também. Eram Betaras, Pampos, Bagres e etc. Me recordo, que após os lanços; as redes vinham repletas destes peixes e várias pessoas foram ajudar; pois era uma quantidade bem generosa de pescado. Parecia um enorme mercado de peixe á ceu aberto; isto se deu entre a seguda e terceira pedra (Ilha do meio e Mendanha); como eram chamadas essas ilhas, antigamente.
As pessoas limpavam os peixes, á margem do rio que divisava o nosso terreno. Inclusive o meu pai, minha mãe, meus irmãos e eu.
Foi um dia de muita fartura; todos tentavam processar o máximo de pescado possível; pois ainda não havia eletricidade em Itapoá.
Eu me recordo nítidamente, daquele dia bastante abafado e meio sufocante...
Embora nós estivéssemos; ora no mar ajudando a puxar as redes, ora no rio limpando os peixes; a sensação de calor sufocante, era bastante perceptível.
Entre três e quatro horas da tarde, algumas nuvens negras começaram a se formar á nordeste.
As pessoas, percebendo a tempestade que se anunciava; apressaram-se em voltar ás suas casas. A nossa prole, estava á passos da segurança do nosso humilde, mas aconchegante lar.
Aquela, não seria uma tempestade comum; mas nós tínhamos uma barreira de árvores, entre a nossa casa e a tempestade que se avolumava.
Com uma quantidade bem grande de pescado, já limpo; nos abrigamos ás preças na segurança do nosso lar.
Essas lembranças, ficaram gravadas na minha mente, com riqueza de detalhes; mesmo sendo eu ainda bem pequeno.
As primeiras rajadas de vento, começaram a uivar por entre as árvores; o meu pai e meus irmãos, reforçavam as portas e janelas que davam para a tempestade.
Chuva e ventos fortíssimos, mudavam a paisagem daquele lugar; árvores eram arancadas, algumas maiores, cairam expondo suas raizes. A chuva transformou-se em graniso e no meio da turbulência; o teto da nossa casa, vibrava como se fosse voar. Ao perceber a gravidade da tempestade, o meu pai, aos brados pelo desespero, pedia que minha mãe e os menores, se escondessem embaixo da mesa. E assim fizemos...
Eu meio em choque; com o nosso papagaio que ainda era filhote á mão, orava apavorado e em silêncio.
Uma rajada mais forte, levou parte do teto da nossa casa; pedaços e lascas, voavam por toda parte, todos estávamos molhados e tremendamente assustados. Após uns dez ou quinze minutos, a tempestade começou a se dissipar, o dia voltou a clarear e nós meio atônitos; saíamos para conferir os estragos deixados por aquela tempestade.
Toda a região havia sido atingida, a vizinhança aflita, questinava possíveis vítimas; pois a violência dos ventos foi realmente assustadora!
Anos depois, ainda víamos grandes árvores tombadas em meio a mata da redondeza.
Eu acredito; que para além da proteção divina, o que nos protegeu naquela ocasião, foi o cinturão de árvores bastante resistente, que havia na nossa propriedade.
Os estragos na região foram grandes, mas me parece que não houve nenhuma vítima fatal.
A nossa matilha estava aflita, mas estava a salvo; os danos materiais, também não era novidade na nossa história. Então, estava tudo mais o menos certo; afinal.
O susto havia sido grande; mas o nosso grupo continuava na estatística possitiva, daquela realidade tão adversa...
Hoje; vendo as tempestades no estado de Santa catarina, eu percebo que estes fenômenos não são novos por lá!
A vida parecia voltar ao normal; claro que não por muito tempo...
(Foto "Anoitecer em Itapoá Primeira pedra" by Net)


este blog está muy bien hecho
ResponderExcluirGracias Rodrigo, benvenido caríssimo!
ResponderExcluirLee, realmente vc escreve muito bem!!
ResponderExcluirConsegui sentir a brisa, o cheiro das frutas e das árvores que tinham no quintal da sua casa!!!
Que maravilha de lugar!!
Que maravilha de escritor!!!
Bjs
Deus te abençoe sempre!!!
Carol
Obrigado Carol; que bom que os meus escritos, provocam sentimentos desse porte em vc meu anjo!
ResponderExcluirObrigado pela bondade das palavras e fique sempre bem, ok?
aqui pode ver o link para um dos textos que escrevi:http://blogdopessoalparaopessoal.blogspot.com/2009/04/o-refugio-do-lince-capitulo-i.html
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