terça-feira, 31 de março de 2009

Tomé de Souza; meu parente politicamente mais ilustre.

Tomé de Souza é o nosso parente mais ilustre no sentido político. Ao comparar as fotografias em ordem de tempo, é fácil perceber as semelhanças entre entre nós; esta forma séria e contida, lembra a nossa postura familiar diante da vida, expressa uma idéia de conciência responsável e históricamente comprometida.
É interessante saber quem somos e de onde viemos; justamente pela possibilidade da referencia existencial.
Numa viagem de férias á Santa Catarina, uma tia muito querida me doou algumas fotografias antigas e com a alegação de valor histórico; ela me fez guardador deste acervo fotográfico dias antes da sua morte. Aliás; foi uma despedida inesquecível e recheada de apelos espirituais inegáveis. Ela parecia saber que a sua jornada aqui estava por findar.

Obrigado á minha tia Anita pelo previlégio em tê-la entre nós; eu sinto falta dos bons papos á beira do fogão á lenha, dos queijos caseiros, dos bolos que ela preparava e principalmente, do carinho singelo com que ela nos tratou desde sempre. Ainda lembro do ultimo café com bolo que tomamos juntos, horas antes do seu desencarne. Beijos na tua alma, tia querida e obrigado por me fazer sentir teu sobrinho amado. Saiba que os teus gestos mais simples estarão quardados comigo para sempre!

Por favor; preste atenção, no currículo do nosso parente mais ilustre...


"Eu, el-rei Dom João III, faço saber a vós, Tomé de Sousa, fidalgo da minha casa, que ordenei mandar fazer nas terras do Brasil uma fortaleza e povoação grande e forte, na Baía de Todos-os-Santos. (...) Tenho por bem enviar-vos por governador das ditas terras do Brasil." Por meio dessa carta, datada de 1549, Tomé de Sousa foi designado pelo rei de Portugal o primeiro governador-geral do Brasil, com a missão de defender a autoridade da Coroa portuguesa em seus domínios territoriais. De família ligada à nobreza, Tomé de Sousa era filho bastardo do prior de Rates, dom João de Sousa, e de dona Mécia Rodrigues de Faria. Em 1532, realizou uma expedição militar ao norte da África, retornando a Portugal em 1536. No ano seguinte, obteve o título de fidalgo, concedido por seus feitos pelo rei de Portugal. Obteve, também por concessão do rei, o direito a uma renda anual - a chamada tença. Tomé de Sousa esteve em Ceuta em 1539. Pelos atos ali praticados, recebeu o título de cavaleiro. Nomeado governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa chefiou uma expedição composta por cerca de 1.000 homens. Chegou ao Brasil em março de 1549 e instalou-se na então Capitania da Bahia de Todos os Santos, edificando a cidade de Salvador. Criou os cargos de ouvidor-mor, capitão-mor e provedor-mor, implementando a estrutura administrativa e jurídica da cidade. Trouxe também uma missão jesuíta, chefiada pelo padre Manuel da Nóbrega, destinada a atuar na conversão dos índios. Em 1551, Tomé de Sousa criou o primeiro bispado no Brasil, nomeando o bispo dom Pero Fernandes Sardinha. Criou também as câmaras municipais, compostas por donos de terras e estimulou a criação de engenhos de açúcar. Em 1553, viajou à capitania de São Vicente, acompanhado do padre Manuel da Nóbrega, com o propósito de fortalecer o comércio e defender as terras das invasões de corsários. Construiu um forte na barra de Bertioga e fundou a vila de Itanhaém. No mesmo ano de 1553, Tomé de Sousa retornou a Portugal, deixando o governo-geral para seu sucessor, Duarte da Costa.

Confesso que fiquei bastante impressionado, com a capacidade do moço aí de cima! Sendo ele filho bastardo, naquela conjuntura... Parabéns, seu Tomé; o senhor é dos meus!

É muito significativo para mim, descobrir que os locais por onde os meus parentes passaram ou atuaram; me são bastante familiar. Eu descubro neste momento maiores afinidades do que julgava existir. O meu interesse por esta história, havia ficado apenas no campo expeculativo; e pesquisando na internet, eu descobri mais, do que poderia supor existir. Para mim, isso é como se eu houvesse construido uma ponte entre, quem eu sou de fato; e de onde vem as minhas influências. Descobrir tudo isso, me faz entender o movimento da minha personalidade. Me faz perceber que as coisas que sinto na alma, não são sentimentos perdidos e sem porques. Eu sinto que também sou parte da composição do DNA familiar, sou mais um elo dessa corrente. Agora; as coisas começam a fazer muito mais sentido!

Nos anos oitenta eu tive um sonho; que nunca fora um sonho própriamente. Enfim; é uma história longa, e qualquer dia eu conto com maiores detalhes; combinado?

Neste sonho bastante real; eu voava pela costa brasileira no sentido nordeste, depois rumava na direção da Europa; mas o pavor conciente que me dominava, me fêz questianar a realidade daqueles fatos. Como racionalmente eu poderia estar naquela altitude, se o meu corpo não se fazia presente? Em seguida, eu retornei e percebia o meu corpo, recostado na cama. Havia um cordão azulado, que partia do meu umbigo e fazia ligação com o meu corpo. A minha conciência naquele momento, vinha da forma perispiritual, que havia literalmente, se desligado do corpo. Eu sabia e via, que estava inerte e recostado na cama; o livro que eu lia, estava caido sobre as minhas pernas. (O livro era, "As veias abertas da América Latina", do escritor Rodolfo Galeano). Aliás; excelente dica! Eu observava tudo, como se fosse verdadeiramente, outro ser.

Esta esperiência foi meio angustiante e premunitória; me ligava de alguma forma, ao velho continente.

No ano dois mil, mais própriamente em agosto, eu fiz essa viagem; porém desta vêz a bordo de uma aeronave. que fizera exatamente o mesmo caminho! Foi um grande dejavour! Nem sei se é assim que se escreve; mas deve render boas histórias. Eu parecia seguir um scripit; já estudado anteriormente.

Bom; mas essa é uma história para mais tarde...

(Foto de acervo familiar "Tomé de Souza" by Lee Bento)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Desde muito cedo...


Desde a mais tenra idade, eu percebia que tinha uma ligação forte com a questão espiritual. Isto era bastante peculiar e significativo; pois me recordo de conversar com Deus, de uma maneira bastante próxima e humanizada...
Embora; o meu berço tivesse sido sempre na linha do protestantismo, eu entendia que a força que nos move, não tem credo, não precisa de discursos persuasivos ou inflamados! Mas precisa de exemplo, amor, cuidado, preservação e principalmente de boas parcerias. Pois a vida, já é recheada de relidades indigestas. Se não estivermos preparados para olhar o outro, como criatura similar a nós mesmos; também não saberenos lidar com as nossas questões mais simples. Jesus não se empoderou de verdade absoluta alguma. Ele atuava com base na ética humazida, e realmente foi o mais interessante dos homens. "Parabéns mano!... Fala pro Papis ai em cima, que nóis tamo fazeno o nosso quinhão aqui na quebrada terrena! firmeza?" (piadinhas com a divindade á parte, desculpe não resisti!).
São nos momentos mais conflituosos que os bons anjos, vem em nosso socorro. Entendo hoje; que estes seres existem tanto no plano carnal quanto no espiritual; e essa mania humana de achar que somos de mundos diferentes é meio bobagem; na realidade moramos em casas diferentes, são apenas, outras formas sociais da existencia. É justamente; a nossa noção ignorante do todo, ou a nossa arrogancia preconceituosa e infantilizada; quem constroi o muro de contenção. Para algumas pessoas, essa forma de atuação cética, diante de fatos inegáveis; pode ser uma defesa, ou auto preservação, sei lá! Cada louco com a sua realidade; não é?
Não existem fórmulas prontas; porém, existem experimentos bem sucedidos e outros não; é simples assim! Pelo menos para mim, que estou a quilômetros de qualquer suposta verdade, e me pauto pelo meu grau ignorante.
Eu penso que tem a ver com a forma como lidamos, com a nossa própria realidade existencial...
Bom; assuntos filosóficos religiosos, não são a prióri aqui.
Voltemos á história...
A minha mãe era filha de pais protestantes e também era voltada á religião. Porém; lidava com a fé sem a carolice habitual dos outros parentes. Ela era um tipo de ser que emanava luz por onde passava; um espírito bom que identificávamos de pronto, tinha leveza na forma de atuar e de se fazer entender.
O meu pai, foi um homem bastante respeitado em convívios sociais diversos. Entre tantas outras qualidades; o meu herói de carne e osso; recebe homenagens póstumas,e configura seu nome em uma das ruas da praia de Itapoá SC.
A nobreza da ética, a solidariedade e a clareza nas ações; desenharam a conduta e o caráter dos meus queridos genitores terrenos.
Eu; filho derradeiro e orgulhoso em tê-los como pais; sorvi muito do que eles puderam me ensinar; enquanto habitamos o mesmo plano terreno.
É fato, que os tive por pouco tempo fisicamente; mas também percebo que a companhia deles é inegável na minha caminhada terrena. Por muitas vezes, os tive sentidamente ao meu lado... Nas horas mais conflituosas, e até hoje os percebo atuando de maneira clara.
As palavras dos meus pais ainda ecoam como verdadeiras lições, na condução da minha vida; ainda hoje.
Os seres que amamos, são eternos em nossa existência; quer nós compreendamos isto, ou não!
Do meu ponto de visão, isto é tão claro quanto a minha própria existencia física neste planeta.
Nós; seres capacitados de extrema ignorância, pensamos que os nossos umbigos são as nossas fronteiras. Muitos se escondem em templos, buscando a tão sonhada salvação, e burramente se esquecem das lições simples, de um homem simples chamado Jesus. As pessoas se empoderam de verdades que não lhes pertencem; que na maioria das vezes, estas coisas só faz sentido para elas mesmas. Na ebulição ignorante, tomam isso como verdade absoluta; por vezes tentam nos empurrar goela abaixo, as suas pseudo verdades... que verdade mesmo heim? Nós somos tão ignorantes, que a nossa complexidade existencial é quase viral; e ainda nos setimos ultima "coca cola do deserto"! Santa ignorância Batmann!
Quanto mais nos pautamos pela nossa capacidade ignorante, maior é a nossa chance de acertar.
Quando damos valor demasiado á nossa pseudo sabedoria, ao nosso preconceito; deixamos também de agregar valores existentes nos outros seres. Esses fatores acabam nos levando a ignorancia existencial; em virtude da nossa própria resistencia ao novo; ou ainda desconhecido.
O ceticismo em alguns casos; é muito mais gritante do que imaginamos. O homem trata a espiritualidade como algo longe da sua realidade existencial e relaciona-se com o seu semelhante, na qualidade de inimigo eterno. Estamos sempre na competição exaustiva pela conquista. Nós precisamos conquistar ou provar o que? E para quem mesmo, heim!?
Se o teu copo esta cheio e não da mais para engolir? Então por que não dividir com quem precisa? O povo brasileiro, já tem por pré disposição, a capacidade solidária nas veias. Porém; pode fazê-la de maneira mais abrangente e mais acertiva. Ele precisa exercitar esta capacidade, nas relações mais simples e cotidianas. Essas ações; que na maioria das vezes são desprezadas por nós, é que faz a diferença da conduta ética acertiva. Mesmo porque; são as pequenas ações que revelam vertentes importantes do nosso caráter.

Eu, ignorantemente penso; que o maior fator de dizimação no planeta, é a capacidade que temos de subestimar o nosso entorno. (Vide a crise americana atual, que é fruto de erros crônicos e sucessivos).
É a velha lei do retorno, voltando como um bumerangue e caindo no colo deles.
A história dos grandes impérios é bastante parecida, e até cíclica.
Se considerarmos as suas linhas de ascenção, estabilidade e queda... Bom mas isto é papo de economista, e não é esta a proposta aqui; pelo menos neste momento!
Voltando ao assunto!

A verdade é que os meus genitores terrenos, criaram a própria prole para ser livre; inclusive para o auto aprendizado. É bastante claro, que esta é a minha visão particular, sobre a família a qual eu pertenço. Pois afinal; cada um tem a sua própria visão do universo que está inserido.
Esta é a minha parte da história, é o meu ângulo de abrangência, e não tem pretensão histórica.
Os fatos anteriores á minha existência no núcleo onde nasci, vem dos relatos que eu obtive com parentes ou o que o valha. Uma das minhas tias me deu algumas fotografias antigas e assim eu pude conhecer melhor a história dos meus parentes mais famosos historicamente. Entre eles está Tomé de Souza; o primeiro governador geral do Brasil, meu consanguíneo direto.
Eu penso que há muito o que contar... e pensar no tanto de histórias que para contar; já me deixa cansado; pois sou extremamente preguiçoso para escrever... confesso!

(Foto voo de Paraglider S. Vicente SP by Lee Bento)

quarta-feira, 25 de março de 2009

A minha primeira noção de existêcia...


O litoral catarinense e o Paulista; fazem pano de fundo para a minha odisseia familiar.

Eu Ainda tenho na memória alguns fleches das nossas idas e vindas por aquelas estradas difíceis. Sou o filho caçula de uma família de sete irmãos. Éramos cinco garotos e duas meninas; que por serem mais velhas, já eram mães quando eu nasci. Quatro dos meus irmãos haviam nascido em Santos, cidade do litoral Paulista, outros como eu, haviam nascidos em Santa Catarina, mais propriamente no município de Penha.

Era um dia frio nos anos da ditadura, a vida empurrava a nossa prole, de Santos para Santa Catarina novamente. Só que desta vez não era por falta de dinheiro ou trabalho; mas pela força da mordaça impiedosa da ditadura imposta nos anos sessenta; que também foram chamados de anos de chumbo.
Quem não tem olhar mais clínico ou viveu aqueles tempos; também não tem a noção das barbaridades cometidas no seio das famílias brasileiras. A ditadura no Brasil foi extremamente cruel com o nosso povo já tão cansado de ser espoliado. Os processos colonizadores, sempre foram banhados com muito mais sangue de inocentes do que se permitiu saber. É estranho pensar que o maior algoz do planeta é justamente o homem. O ser humano tem características virais; ele se alimenta do seu hospedeiro até mata-lo, e por
consequência more também. (No filme Matrix este tema é abordado). A grande diferença é que o aprendizado humano; embora muito desqualificado, tem dado provas de processos evolutivos concretos e bastante visíveis. Este é um fato inegável. Também não podemos desqualificar a capacidade do ser humano em gerar soluções das mais diversas ordens.

Eu penso que o processo histórico deve nos auxiliar na intenção do aprendizado; e nunca no sentido do cultivo ao ódio. Pois quando odiamos os outros, estamos disseminando ódio á nossa própria espécie. Já que supostamente somos todos criados á imagem e semelhança do poder criador.

Vamos deixar as questões histórico filosóficas, para quem domina melhor este assunto e voltemos aos fatos.

O meu pai havia ficado escondido em Santos por uma questão de segurança, as duas irmãs mais velhas já estavam casadas e também ficaram. A minha mãe e nós, os cinco garotos, rumamos para o sul, num porão de navio e que se tudo desse certo, aportaria em São Francisco do Sul SC. Porém o nosso destino era uma vila de pescadores que se localiza do lado oposto da baía. A travessia era feita por canoas á motor e naquele dia parecia que nem a meteorologia estava interessada em ajudar. Uma tempestade se pronunciava, e quando estávamos no meio da travessia que deveria levar meia hora, fomos colhidos pelo vento e pela chuva. Aquela pequena canoa á motor parecia uma folha jogada de um lado para o outro por entre as ondas, mas também era mais valente do que parecia ser.
Foi
exatamente
no meio daquela tempestade que me dei conta da minha existência.
Nós estávamos cobertos por uma lona espessa, a embarcação era jogada de um lado para outro e eu reconhecia a voz doce e
tranquilizadora da
minha mãe a nos acalmar...
São os meus primeiros momentos de reconhecimento da minha
existência no planeta, porém algo me dizia que a vida seria assim dali para a frente!
Eu também penso que só os mais tenazes são capaz de suportar as maiores intempéries da própria existência.

Hoje não me vejo melhor ou pior que ninguém, apenas mais calado e reflexivo; pois as nossas verdades se tornariam muito chatas se fossem unânimes...A vida nos da, e continua nos dando mais do que nós esperamos dela, porém; primeiro devemos fazer a lição de casa e pedir com sabedoria.

(Foto Meu Primeiro voo de paraglider - S. Vicente SP by Lee Bento)

terça-feira, 24 de março de 2009

Itapoá, litoral de Santa Catarina...


É a partir dessa bela praia que a história da minha vida começa...

Hoje eu penso estar preparado para conta-la; pois a minha existência neste planeta, tem sido tão intensa, quanto gratificante; no sentido do aprendizado e da busca pelas respostas coerentes.
Essa fotografia de Itapoá, me faz voltar á infância e me vejo neste cenário. Cabelos claros ao vento, sardas no rosto, os banhos de mar, o futebol depois da aula, as surras que o meu pai me dava. Enfim; as travessuras de moleque saudável. Eu acredito que tenha vivido intensa e saudavelmente cada fase da minha vida.
Obrigado novamente aos meus genitores terrenos, pela forma como conduziram, os primeiros e mais importantes anos da minha vida. Embora eu tenha perdido os meus pais tão cedo; o exemplo de vida deles permanece comigo.
Alguns queridos amigos gostam do que escrevo; e justamente por isso, eu gostaria de dividir as minhas histórias com você caro leitor.
Então; que sejamos parceiros dessa odisseia de superações; aprendizado e conquistas pessoais significativas.
(Foto Itapoá SC Brasil by Lee Bento)